domingo, 20 de abril de 2014

O que fazer?

O que fazer quando não se sabe o que fazer?
O que fazer quando já se fez todas as perguntas,
exceto as mais importantes por medo das respostas?
O que fazer quando se deseja tanto algo que,
na verdade nem sabe se quer de verdade?
E quando os motivos fogem e giram, giram, e...
Te levam para dar a volta ao mundo,
para parar no mesmo lugar e nada fazer sentido,
O que fazer?
O que procuro é mais do que
 a satisfação das palavras...
Das respostas as quais tanto temo.
E com tantas coisas, de uma tenho certeza:
Não sei o que procuro, nem o que fazer.

10/04/2014
A.M.
Amanhã, ou depois, talvez... Talvez eu precise que me ames, mas hoje não, agora não. Agora só quero que estejas, simplesmente, estejas aqui. Simplesmente me olhe e me deixe rir. Quero rir de você e, ainda mais, muito mais de mim. Quanto a nós, não vejo graça. Se fossemos mais engraçados e menos enganados, quem sabe um de nós não se machucaria tanto... O que dói ai também dói aqui. Já não sei mais de quem falo se mal sei falar por mim. Sendo assim, não estranhe meu silêncio e minha estranheza. Quando estiver calada e estranha, leve-me para bem perto. Ambos podemos ser dois estranhos em silêncio. Mesmo que não entendas nada, só quero que estejas aqui.

08/04/2014

A.M.


Minha Amiga, quero te dizer que sinto tanto a tua falta. É eu sinto... E sinto muito por isso. Que os dias não nos sejam por tanto tempo incansáveis noites sem sono. Que não nos percamos uma da outra. Que a amizade prevaleça a pressa dos dias, porque ela é a poesia mais bela que eu consegui escrever para você. E eu tenho tanta gratidão por você acompanhar as minhas dores, as minhas inquietações, o meu jeito simples de ser feliz, que eu me sinto na obrigação de te dizer isso vez ou outra e tantas outras vezes. Saudade de você que não tem tempo pra mim.

19/03/2014

Dil

Pr A.M.


Vaga-lume

Vagueia o vaga-lume vadio na vaga esfera terrestre, 
Buscando uma vaga em que possa se encaixar.
Vagabundo moribundo faz-se mudo, cego e surdo;
 Faz-se mundo: sem regras, sem medos, sem rumo.
Segue à risca o seu desejo de caber em qualquer lugar.

Criador de sonhos e de falsas estrelas percebe no céu: Seu Lar.
Não querendo ser réu de tristezas alheias, corre.
Para onde? Aquém? Para lá.

Vaga-lume, é hoje uma luzinha que transita e devaneia
vagarosa no vasto véu de estrelas...
Casa dos astros, é agora o seu luar.
Seu abrigo. Meu lugar. 

21/10/12


(A.M. e DiL)

Mérito ou monstro?

Eu digo pode entrar, o mundo é seu. Você diz obrigada por ser minha amiga. Nunca antes essas palavras haviam doído assim. Enquanto você percorre as estradas procurando o número vinte e quatro, aproximando-se de casa e distanciando-se de mim, vou perdendo a vergonha de chorar, “como se o mundo existisse apenas ali.” Devia ter chorado todas as vezes que senti vontade. Como quando não consegui alcançar o cruzeiro. Mas não choraria por medo da altura, e, sim, por entender o que sempre tentou dizer nas entrelinhas que eu ignorava, fingia não ver. E vou perdendo a vergonha de chorar. Vergonha de quem? Há tantas pessoas que se importam meu Deus! Há, há, há... Não sou a vadia que penso que penas que sou. Você não é o monstro que pensamos ser. Eu que o sou quando muda imploro que me ame.  Por favor, não faça votos que não poderá cumprir. Isso é pecado. Pequemos juntos, então, para que possas dividir a culpa, mas também o prazer e, quem sabe, o perdão. Afinal, amigas são para essas coisas...
Voltando às pedras, não chorei lá no alto, sequer cantei a canção que havia escolhido para você. Não podia sangrar mais uma vez. Não podia me jogar daquela pedra porque sou forte, sou forte para amar um poeta; para continuar querendo-o como o quis desde o primeiro beijo sob a árvore. “Olhe para mim borboleta.” O poeta que me faz ler mais do que palavras; que me faz ver coisas lindas, como ele mesmo vê com seus olhos verdes ou azuis, quando há luz; é poeta até com sua humildade que começa quando tira os seus óculos e se torna menor ainda do que é diante do universo.  Os poetas não podem ser amados. A realidade é um fato, mas estes vivem do ideal. E nós –eu- não idealizamos os poetas? Mérito? Reticências...
Quem mais pode ver o monstro em mim? Quem mais pode ver ou aplacar a fúria que me faz voltar a acreditar na Flor-mais-Bela? Será que não me conheces o bastante para saber o que espero? Ou continuo não sendo suficiente para merecer aquilo que tanto buscas dar a outra que ainda não conheces? Mostro os meus medos quando serena, aceito o teu sim e o teu não. Por que temes a solidão se estou aqui/ai? Por que temes não ser aceito se já te aceitei? Antes, aceitas a ti mesmo. Deve ser o mérito de ser um monstro.

PS: Ainda te amo.


13.10.2013
A.M. 
Não fale assim... Não diga gostar de mim. Não cite o meu nome para os desconhecidos. E para os conhecidos, finja ter me esquecido. Só não finja, por favor, que o que você dizia sentir era amor. Guarde as frases feitas para aqueles que se vendem por pura mesquinharia, tão baratos quanto balinhas vendidas no sinal. São esses os seus amigos. Encontro mais dignidade em um cachorro de rua qualquer do que nas suas palavras tristes de arrependimento. Chega de lamentar os próprios erros! Pra que tanto drama?  É tão falso quanto a ilusão de haver amizade entre nós dois.

(14.10.13)

A.M. 
 “Perdoe-me, mas irei descosturar essa poesia presa em teu (olhar). E irei declamar os versos mais lindos, aqueles que você talvez não queira ouvir. E irei reclamar a tua falta de atenção e da tua pressa em concretizar o ato. O fato é que a tua pressa me priva do teu mais um pouco. E vou te chamar de 'Meu Menino', com um único erro: o do uso indevido do pronome possessivo. E quando você se for: por que chorar? Deixar-lhe-ei ir. Sei que vai voltar, porque o meu abraço é o único lugar onde você se sente completamente seguro. E eu vou te agarrar com força, para que perceba que estarei ao seu lado, mesmo quando não mais estivermos juntos."


DiL
Minha casa, meu luar,
O cantinho que encontrei no céu.
A paz do vaga-lume acabou.
Vaga-lume voltará a vagar...
Desencantou-se, virou ferida no ar.
Os homens lhe apontam o dedo,
Não sabem que vaga-lume também chora,
Também ama e sofre.
Encontrará um novo espaço entre das estrelas?

(A.M. e Carla Thais Lee) 
E se eu despejar um monte de palavras sem nexo? Só para falar...
E se eu trocar os adjetivos e bagunçar as flexões verbais?
E se você não entender nada?

Leia-me-nas-entre-linhas.

Meus olhos falam a verdade encoberta pela aparente insanidade das minhas palavras.
Se mesmo assim não me entender... Bem, o que posso dizer?

A.M. 
Sou uma atriz vazia que carrega a bagagem sozinha, à procura de alguém para dividir o conteúdo da cartola... Tenho em mãos uma caneta de tinta cor-de-rosa e um papel em branco, pronto; esperando uma cor que venha a preencher o vazio de sentimentos e nutrir esse coração quente que pulsa violentamente, num protesto desesperado grita: "Atuar pra poder voar...” Minhas penas crescem mais uma vez, sinto-me pensa. Penso nisso e sinto pena da mediocridade dessa atriz que só sabe fingir. Minhas asas agitam-se freneticamente na expectativa de voar de novo, de ter um novo lugar para pousar; para partir novamente, ganhar o céu uma vez mais. Queria ser como os poemas do Quintana; ver-me nas frases do Vinícius; ser aceita pelo Drummond (pelo meu). E, enfim, quero encontrar um ponto-final para estas palavras-tontas aqui mal escritas...


A.M. 
Perdi o sono por não te ter, e escrevo na tentativa de que um novo dia comece logo e eu possa me gastar nas obrigações dos dias úteis. Na tentativa de que amanheça em mim e de que essa escuridão dure pouco, bem menos do que esta noite vazia de lua e de estrelas no alto, no céu. Eu tento encontrar algum motivo para sair por aí, sorrindo idiotamente, e fingindo alguma felicidade que não há por aqui, que não há em mim. Mas quero é seguir rumo ao desconhecido, sem certezas para onde e de quais surpresas terei pelo caminho. Talvez meus passos me levassem até você, o que tornaria o caminho ainda menos meu e as minhas certezas ainda mais incertas. Talvez não. Eu não sei!Há essa dor já tão familiar. Há esse costume de não me saber longe, de ti. É a noite que me vem que me traz fortemente algumas lembranças. O teu rosto eu quase não lembro mais, mas é esta a tua foto amarelada que agora tenho em mãos que me permite não esquecer. A tua voz calma tal qual o teu jeito meu, ainda ecoa aquele Adeus, dito "Até Logo!" Eu ainda lembro de nós, sabia? Você me perguntou o que há de novo, ao que respondo: Tudo, menos os dias. Estes ainda são os mesmos e por aqui nunca amanhece, embora tantos reclamem do sol, que queima a pele e torna as matas menos verdes. Quando chove também reclamam. Eu continuo me queixando das mesmas coisas, da distância, do tempo, desta noite que parece não acabar. Pelo menos ainda me resta estas Palavras. Ainda me sobra o que dizer. E por ai? Já é dia?


DiL
Tocou-me de forma avassaladora - quase me derrubou - lágrimas dos olhos. A felicidade de outrora, aquele brilho que inspirou seu filho, brilho que também me tornou seu fã, jaz à sombra da mesa e cada canto da casa causa tristeza. Restam histórias de coisas que ele fazia pela manhã, um bandolim adormecido, uma mesa, uma casa e um jardim. Resta ainda, por fim, a saudade a doer em mim. Saudade de um sentimento que nunca conheci, mas reconheci ali...

(30.07.13)

A.M. 
"Em meio as tantas curvas que percorri até chegar aqui, um carro em alta velocidade. O retrovisor era inútil, pois pouco me importava o que havia passado. Os freios de nada serviram, não estancaram a ansiedade de satisfazer-me.
Agora percorro as curvas do seu corpo num leve atrito contra o meu. Mãos, bocas, loucos gemidos: quase gritos; sussurros roucos rompem o silêncio desse lugar, quase que inabitado e fracamente iluminado pelo luar. O espelho é a única testemunha desse nosso pecado, desse gozo compartilhado. Enfim perdoados e transfigurados em prazer pelo orgasmo."

Daniel Victor


(não que eu tenha pedido permissão, mas também nunca pedi a DiL).

Campanha pela leitura: cuide bem dos seus livros. Troque, venda, dê, empreste, devolva os emprestados à você (importante). E seja alguém digno de ser elogiado "tão... livro." ^^
Como sentir saudade de algo que nunca se teve? Será a vontade ou o medo de nunca se ter?