Perdi
o sono por não te ter, e escrevo na tentativa de que um novo dia comece logo e
eu possa me gastar nas obrigações dos dias úteis. Na tentativa de que amanheça
em mim e de que essa escuridão dure pouco, bem menos do que esta noite vazia de
lua e de estrelas no alto, no céu. Eu tento encontrar algum motivo para sair
por aí, sorrindo idiotamente, e fingindo alguma felicidade que não há por aqui,
que não há em mim. Mas quero é seguir rumo ao desconhecido, sem certezas para
onde e de quais surpresas terei pelo caminho. Talvez meus passos me levassem
até você, o que tornaria o caminho ainda menos meu e as minhas certezas ainda
mais incertas. Talvez não. Eu não sei!Há essa dor já tão familiar. Há esse
costume de não me saber longe, de ti. É a noite que me vem que me traz
fortemente algumas lembranças. O teu rosto eu quase não lembro mais, mas é esta
a tua foto amarelada que agora tenho em mãos que me permite não esquecer. A tua
voz calma tal qual o teu jeito meu, ainda ecoa aquele Adeus, dito "Até
Logo!" Eu ainda lembro de nós, sabia? Você me perguntou o que há de novo,
ao que respondo: Tudo, menos os dias. Estes ainda são os mesmos e por aqui
nunca amanhece, embora tantos reclamem do sol, que queima a pele e torna as
matas menos verdes. Quando chove também reclamam. Eu continuo me queixando das
mesmas coisas, da distância, do tempo, desta noite que parece não acabar. Pelo
menos ainda me resta estas Palavras. Ainda me sobra o que dizer. E por ai? Já é
dia?
DiL
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